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27/06/2007 22:34
A solidão do corredor de longa distância.
Tem vezes que é assim mesmo, ficamos cansados. Nem vontade de ir em frente temos. Mas é preciso prosseguir. E falar sozinho é horrível... De cara para o vento ainda, que nem eco dá.
Mas repito é preciso prosseguir. É muito fácil achar o diabo nos outros, quando é em nós que o bicho mora de verdade.
Adianta reclamar, bradar, se esgoelar contra um monte de injustiças quando nem a nossa parte a gente faz? Hoje ouvi professores falando contra o fim da famigerada progressão continuada que desde sua implantação visou única e exclusivamente maquiar os dados do aproveitamento escolar, elevando assim o conceito do ensino no estado diante de outros da federação o que em tese daria direito a um aumento na verba federal para educação. Defender um 'treco' destes me parece incoerente com a função de educador. Pareceu-me coisa de acomodados. A maldita lei do mínimo esforço. -Vou, faço meu horário e o resto que se dane. Se alguém aprender ou não, não é problema meu! Então é problema de quem se o objetivo de seu trabalho não é alcançado?
Ou mudamos nossa maneira de pensar ou naufragamos o País...
A filosofia do farinha pouca, meu pirão primeiro tem de acabar. Ou o país é para todos ou para ninguém. Se pessoas abraçam o magistério que façam bem feito. Se abraçar a medicina, idem. A despeito da falta de apoio do governo, a despeito dos baixos salários, das condições de trabalho, tudo... Algumas profissões são sacerdócio, não admitem comodismo. Não o admitamos nós também. Reclamar que é desumano dar aula para uma classe de 40 alunos, que com este numero em classe não é possível atender a todos é bravata, é balela. SEMPRE FOI ASSIM. E com condições muitas vezes piores e sem material e recurso algum. Reclamar que as famílias não dão a base de educação é muleta. Ninguém vai à escola para ter educação familiar. Vai para ser alfabetizado e é isto exatamente que não acontece. Conheço casos de alunos que chegaram ao colegial sem saber sequer interpretar um texto simples. Analfabetos úteis.
Cheguei a ouvir o cúmulo de que o tal professor faz esforço apenas para o filho aprender e os outros que contem com suas famílias. Então sugiro que acabemos com a figura do professor, para que serve? Se achar que não dá conta mude de profissão. Abandone o ofício de ensinar e abrace outra carreira. Quem sabe escriturário da Petrobras? Ou bancário. Sim o salário é melhor e ninguém sabe que existe, logo não tem obrigações e não vai estragar geração nenhuma. Comprometer o futuro de ninguém.
Mas senão for este o caso então lembremos de quem faz porque gosta. Recebe por isto, sim, reclama que é pouco. Claro! Mas faz! E faz bem feito.
Ah! E que tem este desabafo a ver com o titulo... É que me senti como o corredor de maratona que durante a prova só tem a si e seu próprio corpo como companhia e alento. Então me lembrei do exemplo da maratonista suíça Gabrielle Andersen-Schiess que nos jogos Olímpicos de Los Angeles 1984 entrou no Coliseum completamente desfigurada pelo esforço. O andar era trôpego, arrastado. O rosto estava transfigurado pelo cansaço. Os organizadores queriam que ela desistisse e recebesse ajuda médica, mas ela não aceitou. Foi aplaudida de pé pelo publico. Cruzou a linha vinte e três minutos depois da vencedora, só ai recebeu cuidados médicos. Se tivesse se acomodado e desistido ninguém nunca se lembraria dela, assim como não me lembro o nome da vencedora.
Mas é mais fácil fazer como todo mundo faz, sem sair do sofá, deixar a Ferrari pra trás...
enviada por Ron Groo
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