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05/07/2007 20:52
A Flip e Nelson Rodrigues.
Caramba, eu deixo de postar por alguns dias e logo me esquecem? Tudo bem. Não sou o Leôncio chorão... Vamos em frente.
Começou ontem (04/07) e vai até dia 8 de Julho em Parati, Rio de Janeiro a FLIP-Festa Literária Internacional de Parati.
Um dos mais importantes eventos no país para quem gosta e vive de literatura. Onde é possível que jovens escritores possam encontrar e trocar idéias com grandes escritores e velhos ídolos. Em minha opinião a mesa de discussão mais agradável e interessante será a mesa de numero seis que vai acontecer no dia 6 de Julho as 10 da manhã se chamará A vida como ela foi e contará com o historiador Paulo César de Araújo que publicou Roberto Carlos em Detalhes, biografia do cantor mais popular do Brasil nas últimas quatro décadas. Fruto de 15 anos de pesquisas e de mais de 200 entrevistas, o livro foi bem recebido pelo binônimo "público e crítica". Mas desagradou o biografado, que impediu na Justiça a circulação do livro. Nesta mesa, Araújo conversa, com outros dos principais biógrafos em atividade no país, Fernando Morais, que escreveu a magnífica biografia de Assis Chateaubriand Chatô, o Rei do Brasil entre outras e com Ruy Castro. Que também já experimentaram o gosto dos tribunais por livros seus. Este ultimo responsavél pela biografia do objeto deste post que é o homenageado da Festa. Nelson Rodrigues.
Nelson, ainda em vida, foi chamado de tudo. Desde alienado, imoral, reacionário, até depravado e tarado. E na mesma proporção foi chamado de gênio.
Nelson foi quem melhor descreveu e escreveu sobre a classe média brasileira. Mostrou o homem comum em sua vida. Suas angustias, suas taras, seus pecados escondidos e inconfessos. Criou uma das peças mais importantes do teatro brasileiro Vestido de Noiva. Um marco que revelou ao país o genial Ziembinski. Foi também um cronista esportivo dos mais divertidos. Assistia futebol nas arquibancadas do Maracanã (que leva o nome de seu irmão Mario Filho) sem enxergar o que se passava em campo (era vaidoso e se recusava a usar óculos) sendo muitas vezes alertado pelos filhos de que estava torcendo pelo time errado (era Fluminense). Soube como poucos retratar sua época mostrando ao Brasil personagens que eram comuns e corriqueiros em tempos de ditadura militar, mas que cobertos de uma aura heróica passavam despercebidos. O padre de passeata a freira de minissaia o revolucionário de botequim. Só a esquerda via e se aborrecia. O chamava de escritor de direita e mal sabia o quanto ele trabalhava nas cochias (para usar um termo de teatro) para liberar amigos e até desconhecidos das arbitrárias prisões militares. Mas a verdade é que Nelson é o principal e maior dramaturgo brasileiro e um dos maiores escritores de nossa língua e que soube como poucos garimpar o que existe de universal e grandioso no cotidiano banal. E como diz sua filha Sonia Rodrigues sua obra sempre foi e continuará sempre atual, pois O ser humano se apaixona, o ser humano se corrompe, o ser humano é violento e ainda procura realizar seu desejo por cima do desejo dos outros....
Nelson morreu em 1980 aos 68 anos.
enviada por Ron Groo
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