O importante é competir? Apenas para quem invariavelmente perde.

 

RON GROO

 

   

 

BligGroo

Velocidade, literatura e mais.
1 ano!

08/03/2008 12:00

A fase black

Antes de ser o “Rei” e enveredar por fáceis baladas românticas e temas de pouca importância a musica de Roberto Carlos era algo muito diferente, aberta a influencias diversas e ‘antenada’ com o que acontecia no mundo, ao contrário do RC de hoje que vive trancado em seu apartamento só saindo de lá para shows.
Ao abandonar temas clássicos do rock´n´roll: Carros, garotas e rimas simplistas do tipo “mim/assim/enfim” da fase da jovem guarda, o cantor se tornava então um artista inquieto e criativo musicalmente, não que elas - as letras - melhorassem muito mas, começavam a ter temas mais sérios e arranjos menos quadrados e mais swingados e balançantes. (O termo 'dançantes' não cabe na obra de RC, sorry).
Iam à direção do soul e funk americanos.
“Soul” é o rotulo dado a musica negra dos EUA para encampar as canções e criações de uma safra genial de compositores e cantores como Al Green, Marvin Gaye, Aretha Franklin em sua fase fora do gospel (religiosa). E o funk - nada a ver com o 'baixo nivel carioca de hoje -era a musica de James Brown e outros papas do balanço.
RC e seu amigo Erasmo Carlos, o tremendão, ouviam muito isto no fim dos anos sessenta e resolveram que também fariam aquele tipo de som.
A guinada rumo a musica negra norte-americana da época começa em 1969.

O inimitavel

O disco deste ano, “O inimitável” que é um dos poucos discos de RC a ter um titulo e não apenas seu nome na capa marca o inicio da ‘fase black’ do homem.
Baladões confessionais, arranjos calcados em contrabaixo e bateria que realmente conduziam a musica eram a tônica do álbum.
A revolução estava a caminho...

No mesmo ano ele lança um disco tremendamente violento, como nunca havia feito e nem voltou a fazer em momento algum de sua carreira.
Vale lembrar que esta violência estética influenciou Caetano a compor muito de sua obra tropicalista.
Na capa que leva só seu nome ele aparece sentando na praia de cachimbo na mão e pensativo.

Disco de 1969

“As flores do jardim de nossa casa” que pasmem, não é uma canção de amor, mas sim um desabafo emocionado sobre a doença de seu filho.
E até as canções mais ‘românticas’ soavam violentas como “Sua estupidez”:
‘Sua estupidez não lhe deixa ver que eu te amo/Meu bem/Use a inteligência uma vez só/Quantos idiotas vivem só”.
Emblemática é a versão de “Não vou Ficar” de Tim Maia.


Em 1970 põe novamente apenas seu nome na capa e lança um disco um tanto pessimista. A partir da capa, com sua foto sobre um fundo negro, talvez a mais forte de toda sua carreira.
As canções soam mais ‘adultas’ e temas como “O astronauta” mostra alguma preocupação social.
Sua fixação em musica negra continua e além do soul desesperado e desesperador de “120, 150,200 km por hora” tem também” Jesus Cristo” que hoje é vista como marco de seu rito religioso, mas que foi feita com intenções nada sacras. Segundo Erasmo, foi decalcada nas musicas da opera rock ‘Aquarius’ e que eles nem sabiam o que era musica gospel naquele tempo.

Em 1971 seu long-play (palavra velha esta né?) traz aquele que considero seu maior hit: “Detalhes”, mas é nas musicas mais balançadas que se nota que seu namoro com o funk se tornou um caso sério.
Disco de 1971

“Todos estão surdos” tem uma levada que contagia qualquer um e de novo tem tinturas religiosas (gospel) e junto com “Eu só tenho um caminho” fecham esta fase de sua carreira.
Uma curiosidade sobre este álbum é que ele trás talvez sua única ‘subversão’ política na homenagem em que faz a Caetano Veloso, que à época estava exilado em Londres, expulso do País pelo governo militar:
“Você olha tudo/e nada lhe faz ficar contente/Você só deseja agora/Voltar pra sua gente”.
Outra pequena maldade neste LP é descobrir que RC também podia ser ‘safado’ e não apenas um homem que sofria por amor, mas que também podia fazer uma pequena sacanagem...:
“Se eu agi assim/Foi somente pra saber/Se existi por aí/Alguem melhor do que você”.
O futuro “Rei” confessa em “Você não sabe o que vai perder” que traiu!
Os discos que vieram depois marcam o acomodamento e até a retração de sua verve criativa.
Para muitos é o começo de sua decadencia apoiada em muito sucesso e um fã clube extraordinariamente grande.
Tornou-se rei, porém perdeu a majestade criativa.
enviada por Ron Groo






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